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	<title>Giovanna Batelli &#8211; Materiais Didáticos</title>
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	<description>Materiais Didáticos - IGc</description>
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	<title>Giovanna Batelli &#8211; Materiais Didáticos</title>
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	<item>
		<title>Cratera de Colônia: um impacto do passado geológico profundo no território paulista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Batelli]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2026 16:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[astroblema]]></category>
		<category><![CDATA[cratera de colônia]]></category>
		<category><![CDATA[cratera de impacto]]></category>
		<category><![CDATA[formações geológicas]]></category>
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					<description><![CDATA[Como um antigo evento de impacto continua a revelar, nas rochas e nas pessoas, a longa história da Terra inscrita em São Paulo. Um vestígio do céu na cidade No extremo sul do município de São Paulo, entre morros suaves, ruas estreitas e fragmentos de mata atlântica, revela-se uma paisagem singular: a Cratera de Colônia, [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Como um antigo evento de impacto continua a revelar, nas rochas e nas pessoas, a longa história da Terra inscrita em São Paulo.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Um vestígio do céu na cidade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No extremo sul do município de São Paulo, entre morros suaves, ruas estreitas e fragmentos de mata atlântica, revela-se uma paisagem singular: a <strong>Cratera de Colônia</strong>, no distrito de <strong>Parelheiros</strong>.<br>Vista do alto, sua forma circular impressiona; ao nível do chão, ela se mistura ao cotidiano do bairro, que abriga comunidades, escolas e histórias entrelaçadas à geologia do lugar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Experimente: abra o Google Maps, busque &#8216;Parelheiros&#8217; e ative a opção &#8216;relevo&#8217;, a geometria do impacto se revela aos olhos!</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="968" height="246" src="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image.jpeg" alt="" class="wp-image-6893" style="width:302px;height:auto" srcset="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image.jpeg 968w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-300x76.jpeg 300w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-768x195.jpeg 768w" sizes="(max-width: 968px) 100vw, 968px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Selecione a opção &#8220;relevo&#8221;.</em></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" width="802" height="596" src="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-1.jpeg" alt="" class="wp-image-6894" style="aspect-ratio:1.3456036136815797;width:356px;height:auto" srcset="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-1.jpeg 802w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-1-300x223.jpeg 300w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-1-768x571.jpeg 768w" sizes="(max-width: 802px) 100vw, 802px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Localização da Cratera de Colônia no distrito de Parelheiros, zona sul da cidade de São Paulo. A área urbana ocupa parte da depressão circular associada à estrutura de impacto. Fonte: Google Maps (visualização de satélite e relevo).</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os moradores, há um sentimento de pertencimento especial: muitos sabem que vivem sobre uma antiga cratera de impacto e valorizam essa herança como parte do que torna o território único.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em algumas escolas, o tema é ensinado e discutido, e essa memória científica e afetiva vai se transformando em orgulho coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parelheiros também é território de duas <strong>aldeias indígenas guarani</strong>, <strong>Tenondé Porã</strong> e <strong>Krukutu</strong>, cujos espaços se estendem pelos arredores da cratera.<br>Essas comunidades mantêm uma relação profunda com a paisagem e têm sido <strong>parceiras do Instituto de Geociências da USP</strong>, acolhendo estudantes da <strong>Geologia</strong> e da <strong>Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental</strong> em atividades de troca e aprendizagem.<br>Ali, o diálogo entre saberes tradicionais e científicos amplia o sentido da geologia: compreender a Terra é também compreender os modos diversos de habitar e interpretar o mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Da descoberta ao reconhecimento científico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Cratera de Colônia</strong> foi identificada em 1961, a partir de fotografias aéreas que revelaram sua forma circular quase perfeita.<br>Com cerca de <strong>3,6 km de diâmetro</strong> e <strong>até 450 m de profundidade</strong>, ela foi formada por um impacto meteorítico ocorrido provavelmente há <strong>36 milhões de anos</strong>.<br>Desde então, a estrutura tornou-se objeto de estudos detalhados conduzidos por pesquisadores do <strong>Instituto de Geociências da USP</strong>, entre eles o <strong>Prof. Ricardo Riccomini</strong>, que liderou investigações sobre sua origem extraterrestre <a href="https://doi.org/10.1111/j.1945-5100.2011.01252.x" target="_blank" rel="noopener">(Riccomini et al., 2011)</a>.<br>Mais recentemente, novas pesquisas coordenadas pelo <strong>Prof. Renato Henrique Pinto</strong> têm revelado que o impacto <strong>remodelou profundamente as rochas e sedimentos da região</strong>, deixando marcas estruturais ainda detectáveis sob a superfície <a href="https://doi.org/10.1016/j.sedgeo.2022.106279" target="_blank" rel="noopener">(Santos &amp; Henrique-Pinto, 2022)</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses estudos mostram como <strong>eventos aparentemente distantes da escala humana</strong>, como o choque de um meteorito, podem influenciar diretamente o relevo, os aquíferos e até a forma como a cidade se organiza sobre o terreno.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="575" src="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-2-1024x575.jpeg" alt="" class="wp-image-6895" style="width:376px;height:auto" srcset="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-2-1024x575.jpeg 1024w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-2-300x169.jpeg 300w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-2-768x431.jpeg 768w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-2.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Mapa hipsométrico da região da Cratera de Colônia. As variações de altitude realçam a morfologia circular da estrutura e sua inserção no relevo regional. <em>&nbsp;Fonte</em><strong><em>:</em></strong><em> </em><a href="https://pt-br.topographic-map.com/" target="_blank" rel="noopener"><em>Topographic Map</em></a><em>. Mapa topográfico do Brasil. Dados obtidos em plataforma digital.</em><br></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que é um astroblema?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na geologia, estruturas como a Colônia são conhecidas como <strong>astroblemas</strong> — as cicatrizes deixadas na crosta por impactos extraterrestres.<br>Nem todo astroblema conserva uma cratera visível: a erosão, o intemperismo e a tectônica costumam apagar seus vestígios.<br>A Colônia é um exemplo raro de <strong>preservação parcial</strong>, em que ainda se reconhecem bordas elevadas e uma depressão central.<br>Essas estruturas oferecem aos geocientistas uma oportunidade única de estudar <strong>pressões extremas, metamorfismo de impacto e deformações da crosta</strong>, temas que aproximam a geologia terrestre da planetologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Um patrimônio geológico, ambiental e humano</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto brasileiro, estruturas de impacto meteorítico são raras, e a Cratera de Colônia integra esse conjunto restrito de sítios geológicos que preservam evidências de eventos cósmicos antigos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reconhecendo sua importância, a área foi protegida em 2007 como <strong>Parque Natural Municipal da Cratera de Colônia</strong>, pelo Decreto nº 48.423.<br>A estrutura está incluída nos <strong>Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil (SIGEP 116)</strong> e listada pelo <strong>Serviço Geológico do Brasil (SGB)</strong> como sítio de valor geológico excepcional.<br>(<a href="https://sigep.eco.br/sitio116/sitio116.pdf" target="_blank" rel="noopener">SIGEP 116 – Cratera de Colônia</a>; <a href="https://www.sgb.gov.br/geossit/geossitios/ver/1272" target="_blank" rel="noopener">SGB – Geossítio 1272</a>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de seu valor científico, o relevo da cratera <strong>favorece a formação de nascentes e a recarga do Aquífero Guarani</strong>, ampliando seu papel ambiental na metrópole.<br>Hoje, o que um dia foi cenário de catástrofe cósmica abriga florestas, rios e comunidades que reconhecem nesse território um espaço de convivência e aprendizado.<br>A <strong>Cratera de Colônia e o bairro que a hospeda</strong> são, ao mesmo tempo, um <strong>patrimônio geológico e humano</strong>, onde o tempo profundo da crosta se entrelaça à história recente da cidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ler a paisagem, compreender o tempo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Observar a Colônia é um exercício de <strong>leitura da paisagem</strong>, uma forma de perceber como o tempo geológico se manifesta na vida cotidiana.<br>O impacto que um dia derreteu rochas e ajudou a moldar o relevo hoje dá origem a nascentes e matas.<br>Esse olhar atento é também o ponto de partida de quem se aproxima das geociências: compreender que cada vale,<strong> cada curva e cada rocha revelam um fragmento da história da Terra </strong>é uma sensibilidade que se desenvolve ao longo da formação e da prática profissional dos geocientistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No acervo da <strong>Seção de Materiais Didáticos do IGc-USP</strong>, <strong>lâminas de meteoritos</strong> permitem observar, sob o microscópio, as mesmas texturas de fusão e deformação cristalina que testemunham eventos de impacto causados por estas rochas viajantes do espaço.<br>É como se o cosmos se deixasse examinar em diferentes escalas — umas visíveis da órbita, outras na lâmina delgada — e ambas contassem a mesma história, separadas apenas pelo tempo e pela distância.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="981" height="509" src="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-3.jpeg" alt="" class="wp-image-6899" style="width:349px;height:auto" srcset="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-3.jpeg 981w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-3-300x156.jpeg 300w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/image-3-768x398.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 981px) 100vw, 981px" /><figcaption class="wp-element-caption">Vista oblíqua por satélite da região da Cratera de Colônia. (Victor Velásquez Fernadez/Agência FAPESP)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre alguns termos utilizados</strong>:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cratera de impacto</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Depressão formada na superfície terrestre pelo choque de um corpo extraterrestre, como um meteorito, liberando grande quantidade de energia em um curto intervalo de tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Astroblema</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estrutura geológica remanescente de um impacto extraterrestre, geralmente modificada por erosão e outros processos geológicos ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Tempo geológico</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Escala de tempo utilizada para descrever a história da Terra, que abrange bilhões de anos e permite compreender processos muito mais longos do que a história humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Metamorfismo de impacto</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conjunto de transformações mineralógicas e estruturais provocadas por pressões e temperaturas extremas geradas durante um impacto meteorítico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lâmina delgada</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Preparação muito fina de uma rocha, utilizada para observação ao microscópio, permitindo identificar minerais e texturas que registram sua história geológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Para saber mais</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><a href="https://doi.org/10.1111/j.1945-5100.2011.01252.x" target="_blank" rel="noopener">Riccomini et al., 2011 – <em>Meteoritics &amp; Planetary Science</em></a></li>



<li><a href="https://doi.org/10.1016/j.sedgeo.2022.106279" target="_blank" rel="noopener">Santos &amp; Henrique-Pinto, 2022 &#8211; Sedimentary Geology&nbsp;&nbsp;</a></li>



<li><a href="https://prefeitura.sp.gov.br/web/meio_ambiente/w/unid_de_conservacao/parques_naturais/42073" target="_blank" rel="noopener">Parque Natural Municipal da Cratera de Colônia – Decreto Municipal nº 48.423/2007</a></li>



<li><a href="https://sigep.eco.br/sitio116/sitio116.pdf" target="_blank" rel="noopener">SIGEP 116 – Cratera de Colônia</a></li>



<li><a href="https://www.sgb.gov.br/geossit/geossitios/ver/1272" target="_blank" rel="noopener">SGB – Geossítio 1272</a></li>



<li><a href="https://jornal.usp.br/ciencias/impacto-pre-historico-remodelou-o-solo-de-sao-paulo/" target="_blank" rel="noopener">Jornal da USP – Impacto pré-histórico remodelou o solo de São Paulo</a></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Texto elaborado no âmbito do Projeto PUB 2025–2026 – “Consolidação e expansão da coleção didática virtual do IGc-USP”</strong>, pela estudante Giovanna Batelli Cardoso, sob coordenação da Profa. Lucelene Martins.<br><strong>Seção de Materiais Didáticos – Instituto de Geociências da USP.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Posts recentes</strong></p>


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</ul>


<p class="wp-block-paragraph"></p>







<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Meteoritos e os segredos que revelam</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Giovanna Batelli]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Dec 2025 18:38:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[acondritos]]></category>
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					<description><![CDATA[Como fragmentos vindos do espaço ajudam a reconstruir a história profunda do Sistema Solar e da Terra. A Terra, o planeta onde vivemos, começou sua história há cerca de 4,56 bilhões de anos, em meio a um turbilhão cósmico que deu origem a todo o Sistema Solar.Esse processo teve início com o colapso de uma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Como fragmentos vindos do espaço ajudam a reconstruir a história profunda do Sistema Solar e da Terra</em>.</p>









<p class="wp-block-paragraph">A Terra, o planeta onde vivemos, começou sua história há cerca de <strong>4,56 bilhões de anos</strong>, em meio a um turbilhão cósmico que deu origem a todo o Sistema Solar.<br>Esse processo teve início com o colapso de uma enorme nuvem de gás e poeira. À medida que o material se concentrava, formou-se o Sol em seu centro e, ao seu redor, os planetas, suas luas, além de inúmeros asteroides e cometas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns desses corpos maiores, ainda jovens e aquecidos, passaram por um processo conhecido como <strong>diferenciação</strong>. À medida que o interior desses astros começou a fundir parcialmente, os <strong>materiais metálicos ricos em ferro e níquel</strong> se separaram dos <strong>materiais rochosos</strong>, migrando em direção ao centro e formando o <strong>núcleo</strong>.<br>O material rochoso remanescente deu origem ao <strong>manto</strong>, e, em corpos mais evoluídos, processos posteriores de fusão e resfriamento levaram à formação de uma <strong>crosta</strong>, uma camada superficial distinta e mais heterogênea.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1536" height="1024" src="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem2.png" alt="" class="wp-image-6875" style="width:432px;height:auto" srcset="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem2.png 1536w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem2-300x200.png 300w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem2-1024x683.png 1024w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem2-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1536px) 100vw, 1536px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong><em>Meteorito e corpo planetário</em></strong><em> &#8211; esquema ilustrativo da interação entre corpos do Sistema Solar. A maioria dos meteoritos chega à Terra como pequenos fragmentos, mas seus materiais registram processos que ocorreram em corpos maiores, como asteroides e protoplanetas.</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A Terra passou por esse processo. É por isso que hoje ela apresenta uma estrutura interna organizada em núcleo, manto e crosta.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="361" height="331" src="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1.png" alt="" class="wp-image-6855" srcset="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1.png 361w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2025/12/image-1-300x275.png 300w" sizes="auto, (max-width: 361px) 100vw, 361px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong><em>Crosta, manto e núcleo &#8211;</em></strong><em> representação esquemática da estrutura interna de um corpo planetário diferenciado. A separação entre núcleo metálico e manto rico em silicatos resulta de processos de fusão e diferenciação, e não apenas da densidade dos materiais.</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria dos asteroides e cometas, no entanto, não atingiu tamanho ou temperatura suficientes para se diferenciar. Muitos deles permaneceram semelhantes ao material original do Sistema Solar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, estudá-los é como observar diretamente a <strong>infância do nosso sistema planetário</strong>. Cada meteorito preserva informações valiosas sobre os materiais e processos que atuaram nos primórdios da formação dos planetas, permitindo que os geocientistas reconstruam capítulos fundamentais da história da Terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maior parte desses corpos permanece distante do nosso planeta. Ainda assim, em alguns momentos, a órbita de um asteroide cruza a órbita da Terra. Quando isso acontece, fragmentos podem atravessar a atmosfera e alcançar a superfície terrestre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses fragmentos são chamados de <strong>meteoritos</strong>. Em impactos de maior energia, podem também dar origem a <strong>crateras de impacto</strong>, marcas duradouras deixadas na crosta terrestre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, estruturas de impacto meteorítico são raras. Entre elas está a Cratera de Colônia, localizada no distrito de Parelheiros, na cidade de São Paulo, um exemplo de como eventos cósmicos antigos ainda influenciam o território que habitamos hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A maior parte dos meteoritos, no entanto, chega à Terra na forma de pequenos fragmentos, sem produzir crateras expressivas.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada meteorito encontrado carrega pistas sobre o corpo de onde se originou. A partir de sua composição e estrutura, é possível inferir processos que ocorreram há bilhões de anos em diferentes regiões do Sistema Solar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De modo geral, os meteoritos podem ser classificados em três grandes grupos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os <strong>meteoritos rochosos</strong> são os mais comuns. À primeira vista, podem se parecer com rochas terrestres, o que faz com que muitas vezes passem despercebidos. São formados principalmente por minerais como <strong>olivina</strong> e <strong>piroxênio</strong> e se dividem em dois tipos principais.<br>Os <strong>condritos</strong> são meteoritos pouco alterados, que preservam características do material primordial do Sistema Solar, como os <strong>côndrulos</strong>, pequenas esferas minerais formadas no espaço.<br>Já os <strong>acondritos</strong> passaram por processos de fusão e recristalização em seus corpos de origem, adquirindo texturas semelhantes às de rochas ígneas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os <strong>meteoritos ferrosos</strong> são formados predominantemente por ligas de <strong>ferro e níquel</strong>. Sua alta densidade facilita o reconhecimento, o que explica por que são frequentemente encontrados por pessoas fora do meio científico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os <strong>siderólitos</strong> apresentam uma combinação de material rochoso e metálico. Um exemplo marcante são os <strong>pallasitos</strong>, que exibem cristais de olivina incrustados em uma matriz metálica, formando estruturas visualmente impressionantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil abriga meteoritos que são verdadeiras raridades. Um exemplo é o Meteorito Itapuranga, o quinto maior já encontrado no Brasil, atualmente exposto junto a outros importantes exemplares no<strong> Museu de Geociências da USP</strong>, aberto à visitação.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="506" height="266" src="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2025/12/image-2.png" alt="" class="wp-image-6856" srcset="https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2025/12/image-2.png 506w, https://didatico.igc.usp.br/wp-content/uploads/2025/12/image-2-300x158.png 300w" sizes="auto, (max-width: 506px) 100vw, 506px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Meteorito Itapuranga exposto no Museu de Geociências da USP. Fragmentos como este preservam informações sobre os materiais e processos que atuaram nos primórdios do Sistema Solar. Foto: Cecília Bastos / USP Imagens – Jornal da USP.</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é apenas um entre os mais de <strong>70 meteoritos brasileiros catalogados</strong>, número que continua crescendo graças à curiosidade de pessoas que encontram esses fragmentos e os encaminham para estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses materiais são analisados por geocientistas por meio de observações de campo e técnicas laboratoriais, e muitos deles são preservados em museus e coleções didáticas, onde cumprem um papel fundamental na formação acadêmica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na <strong>Seção de Materiais Didáticos do IGc-USP</strong>, há uma <strong>coleção didática de lâminas delgadas de meteoritos</strong>, utilizada nos cursos do Instituto. Nessas lâminas, é possível observar ao microscópio texturas e minerais formados sob condições extremas, ampliando, em escala microscópica, a compreensão desses fragmentos vindos do espaço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Compreender os meteoritos é também compreender a nossa própria história. Eles são fragmentos do mesmo processo que deu origem ao nosso planeta e ajudam a revelar como a Terra se formou e evoluiu ao longo do tempo geológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre alguns termos utilizados</strong>:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Silicatos<br></strong>Grupo de minerais formados principalmente por silício e oxigênio, que constituem a maior parte das rochas da Terra e de outros corpos rochosos do Sistema Solar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Diferenciação<br></strong>Processo pelo qual um corpo planetário aquecido passa a se organizar internamente, separando materiais metálicos e materiais rochosos em camadas distintas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Condritos<br></strong>Tipo de meteorito rochoso pouco alterado, que preserva características do material primordial do Sistema Solar, como os côndrulos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Acondritos<br></strong>Meteoritos rochosos que passaram por processos de fusão e recristalização em seus corpos de origem, adquirindo texturas semelhantes às de rochas ígneas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lâmina delgada<br></strong>Preparação muito fina de uma rocha ou mineral, utilizada para observação ao microscópio, permitindo identificar minerais e texturas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Texto elaborado no âmbito do Projeto PUB 2025–2026 – “Consolidação e expansão da coleção didática virtual do IGc-USP”</strong>, pela estudante Giovanna Batelli Cardoso, sob coordenação da Profa. Lucelene Martins.<br><strong>Seção de Materiais Didáticos – Instituto de Geociências da USP.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Posts recentes</strong></p>


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