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	<title>Fósseis &#8211; Materiais Didáticos</title>
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		<title>Tafonomia: o estudo de como se formam os fósseis</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Aug 2020 22:07:58 +0000</pubDate>
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<p>Por: <strong>Rafael Casati (IGc-USP)</strong></p>



<p>Encontrar um fóssil em campo é, em grande parte, um golpe de sorte. Ainda que orientados por mapas geológicos e por pesquisas paleontológicas prévias em certa região, os paleontólogos precisam, muitas vezes, escavar pilhas e mais pilhas de rochas em busca do tão esperado tesouro.</p>



<p>Entretanto, o árduo trabalho nem sempre leva ao encontro de um belíssimo exemplar fóssil, como daqueles que vemos em museus – por mais que esse fosse o desejo dos paleontólogos. Geralmente os fósseis se encontram quebrados, incompletos e, às vezes, irreconhecíveis à primeira vista. Qual seria o motivo dos fósseis terem se preservado de diferentes maneiras? A resposta para essa pergunta procura ser respondida através do estudo dos processos de preservação dos fósseis, a <strong>Tafonomia</strong>.</p>



<p>&nbsp;Questionamentos sobre a natureza dos fósseis são, possivelmente, tão antigos quanto à própria humanidade. Contudo, a definição do termo Tafonomia, que em grego significa “leis do sepultamento” e seu posicionamento científico remetem à 1940 com a publicação do artigo do russo Ivan Efremov. O cientista acreditava que havia “leis” que regiam a passagem do “mundo orgânico” para o “mundo rochoso”. Hoje sabemos que os processos de fossilização não são constantes ao longo do tempo e em toda a natureza e geram uma variedade imensa de tipos de fósseis.</p>



<p>A Tafonomia é dividida em duas subdivisões. A<strong> Bioestratinomia</strong> abrange o estudo dos eventos decorridos da morte de um organismo até o momento em que ele passa a sofrer as ações físicas e químicas que o levam à fossilização. Em outras palavras, compreendem, nessa fase, a maior parte dos eventos que levam à destruição dos esqueletos, conchas, carapaças, troncos, folhas e todo tipo de resto orgânico. Esses incluem a sua <strong>fragmentação</strong>, seja pelo transporte pela chuva ou por carniceiros, além do pisoteio por outros organismos; a <strong>necrólise</strong> dos tecidos moles e a <strong>desarticulação</strong> de seus restos esqueléticos, facilitada por condições de alta concentração de oxigênio e dificultada em ambientes anóxicos ou muito áridos; a <strong>incrustação</strong> por organismos que se valem de superfícies duras para se fixarem, entre outros.</p>



<p>Caso os restos sobrevivam ao período de residência na chamada “zona tafonomicamente ativa”, as condições químicas e físicas do ambiente de deposição passam a atuar, levando o resto orgânico à fossilização propriamente dita. A esta segunda subdivisão dáse o nome de <strong>Fossildiagênese</strong> ou <strong>Diagênese dos Fósseis</strong>. É nessa fase em que muitos vegetais perdem os compostos voláteis de seus tecidos, restando apenas um filme de carbono, processo de fossilização conhecido como <strong>incarbonização</strong> ou <strong>cabonificação</strong>; pode ocorrer também o preenchimento de estruturas porosas, como ossos e troncos, comumente por sílica, a chamada <strong>permineralização</strong>; conchas e demais estruturas formadas por câmaras são, por vezes, preenchidas por sedimento, dando origem a <strong>moldes internos</strong>; quando é a superfície externa que deixa sua marca preservada no sedimento, temos os <strong>moldes externos</strong> e; quando forma-se a réplica do fóssil, geralmente a partir da dissolução do esqueleto e preenchimento do espaço deixado por ele, temos o <strong>contramolde</strong>; também pode ocorrer a formação de <strong>concreções minerais</strong> em torno do corpo em fase inicial de decomposição, formando uma espécie de sarcófago que o protege da compactação das camadas sobrejacentes. Em casos mais raros há a preservação inclusive de tecido mole, como pele e órgãos. A chamada <strong>preservação total</strong> ocorre em condições ambientais específicas, isto é, em ambientes áridos, como mamutes, rinocerontes e outros grandes mamíferos preservados por <strong>criopreservação</strong>, ou preservação em locais muito frios; ou quando pequenos animais e vegetais são capturados pela resina fresca de uma árvore, fossilizando-se em uma <strong>inclusão em âmbar</strong>. Podem também serem preservadas estruturas vestigiais das atividades de um organismo, tais como pegadas, túneis, galerias, cascas de ovos, fezes, os chamados <strong>icnofóssei</strong>s. </p>



<p>Desse modo, existem diversos processos naturais que levam à diferentes tipos de fósseis e, seu estudo, leva ao entendimento dos processos causadores, tal qual faz um perito criminal ao analisar a cena de um crime.</p>



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